01/05 | De Onde Viemos


Hoje em dia, cada vez mais acentuados, percebemos os questionamentos das crianças aos adultos em relação à sexualidade.
Acredita-se que este aumento das dúvidas infantis se dê em função da vasta gama de estímulos que as crianças recebem principalmente dos veículos de comunicação: televisão, revistas, músicas e a internet. A oferta é enorme, diríamos uma "tentação" a tanta curiosidade.
Há que se considerar que no tempo dos nossos pais, e na nossa própria geração estes apelos eram quase que insignificantes o que equivale a dizermos que ainda podia-se recorrer a histórias de bebês trazidos por cegonhas ou que saíssem de repolhos e afins para explicarmos a reprodução humana e o nascimento.
Não nos esqueçamos igualmente de como era feita a iniciação sexual das pessoas.
Os meninos eram levados, logo no início da adolescência e puberdade a conhecerem os bordéis da época, tão sonhado momento pelo jovem; recheado de temores, expectativas e muitas, muitas dúvidas. Restando assim, depender exclusivamente da mulher que o iniciasse nas artimanhas da paixão.
Com relação às meninas, estas "aguardavam-se" para o futuro marido na noite de núpcias e, da mesma forma que os meninos, com poucas infomarções corretas, adequadas, as que tinham eram-lhe geralmente passadas por outros amigos em situações semelhantes, embaladas em aura de mistério.
Nos dias atuais não é pré-requisito que o menino seja um "professor sexual" quando encontrar sua namorada. E, em contrapartida, ela não tem mais a virgindade como condição "sine qua non" para ser boa namorada, mãe, esposa e amante.
Pode ser ou não ser, a democracia impera.
E agora? Num contexto tão diferente o que fazer com as perguntas feitas geralmente de sopetão?
Eis a resposta: simplicidade.
Hoje, numa época de globalização, no terceiro milênio, onde não existem mais distâncias, quando as especializações existem nas mais distintas áreas, ainda é muito difícil falar sobre educação sexual.
Não há curso para ser pai. E mais especificamente ainda, não há "curso para pais com especialização em educação sexual", tampouco é oferecido aos filhos um curso de "como ser bem resolvido sexualmente em cinco lições".
A verdade transmitida através da informação correta, sem preconceitos é o caminho mais seguro. Com relação ao momento de esclarecer tais questões, deixe que seus pequenos manifestem o desejo de saber. Nada de se antecipar com um turbilhão de informações. E, se não souber responder, diga que irá procurar a resposta, ou sugira que busquem juntos a informação, se ainda sentir-se inseguro em sanar as dúvidas, procure profissionais da área para orientações.


Carine Peres
Psicóloga CRP 07/09718
Aluna do CEMEAR ( Centro de Mediação e Arbitragem )
Núcleo de Cursos - Capacitação para Educadores Sexuais

Autor: Carine Peres